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AGOSTO DOURADO - DESAFIOS FÍSICOS E EMOCIONAIS NA AMAMENTAÇÃO

Saúde - 06/08/2020 | 14:33

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Relato de uma mãe

         “Desde o dia em que descobri que estava grávida, de imediato eu já falei: eu vou amamentar até os dois anos, e comecei a me preparar para isso fazendo massagem no bico, ingerir mais líquidos, comprei sutien para amamentação, almofada e tudo que iria precisar para o ato. Eu estava no final da faculdade de enfermagem já trabalhava como técnica de enfermagem no postinho de saúde na cidade de Ilha Comprida. Já sabia tudo de maravilhoso que o leite materno faria para minha filha, e no meio desta empolgação toda me esqueci de um detalhe. Alguns anos antes fui diagnosticada com Displasia Mamária (uma alteração benigna que causa dor e algumas alterações na mama). Como o avanço da gestação, minha mama foi aumentando por conta dos hormônios e com ela a dor e o tumor. Retornei à minha mastologista, fiz uma série de exames e veio a notícia que eu precisava operar imediatamente mas não podia operar por conta da gravidez. Aí começou o drama, de imediato eu disse que não iria operar, não iria por em risco a vida da minha filha e eu queria amamentar! A médica me olhou e disse: você não vai amamentar! Naquela noite eu chorei escondido, mas firme na decisão de não operar e eu decidi: vou amamentar sim! Assim foi toda a gestação, a médica dizia: você precisa operar, e eu respondia não! Ela dizia: você não vai amamentar, e eu dizia vou sim!
E no dia 13/4/2011, às 14h07min nasceu a Raphaela.  Eu quis amamentar de imediato, dei o seio, ela sugava e não saía nada! Vieram as enfermeiras, tentaram me ajudar e nada! Veio a pediatra e nada! Usei bombinha manual e a bombinha elétrica e nada! EU NAO TINHA LEITE!
Aí veio o desespero, chorei, chorei e a médica Ginecologista com dó me deu uma opção que tinha o mínimo de chance de dar certo, mas eu quis tentar, tomar remédios para a produção de leite. Aceitei de imediato, aos prantos. Porém tinha outro problema, desde a hora que ela havia nascido ainda não tinha mamado. As horas se passavam e ela precisou mamar o NAN (leite em pó) já na maternidade. Ela mamava e eu chorava...
Os dias e os meses iam passando, ela ia crescendo e ganhando peso dentro do esperado, porém o intestino não funcionava direito. Fazia coco de dois em dois dias, as vezes três e sofria. As fezes endurecidas a faziam chorar muito e eu chorava junto com ela, me sentia impotente e achava que todo aquele sofrimento era culpa minha porque não consegui amamentar. Daí por diante vieram as alergias, asma, eu me sentia um lixo porque a única coisa mais importante que ela precisava de mim, eu não tinha conseguido fazer, que era amamentar e dar a ela  todos os nutrientes que precisava pra viver bem, dar a ela os anticorpos prontos para evitar e combater as doenças e alergias. Esse sofrimento durou os 2 primeiros anos, as crises de asma constante me levaram a diversos médicos em diversos lugares, rios de medicamentos e muita tristeza, porque a cada crise eu pensava: a culpa disso tudo é minha, porque eu não amamentei! Os anos se passaram, as alergias foram controladas e ela ainda usa alguns medicamentos nas crises que se tornaram cada vez menos frequentes, é uma menina ativa e forte como qualquer outra criança na sua idade.
O que eu quero transmitir com este relato é incentivar as mães que conseguem a amamentar os seus filhos, e apoiar aquelas que, por problemas de saúde como eu, não puderam amamentar e dizer: VAI DAR TUDO CERTO.”

Enfermeira Vanessa

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